sábado, 13 de julho de 2013

Prazer em conhecer, Aspirina

Vez por outra a gente escuta, ou mesmo vive, alguma história que envolve o tal do ciúme. As definições para este sentimento passam por inveja, zelo de amor, despeito. Há quem defenda que existe o ciúme saudável, aquele de quem está tendo cuidado com quem ama, e o doentio, quando se começa a querer moldar a vida do outro. Bem, cada um com suas teses. Mas quando o ciúme acaba gerando brigas e desentendimentos é preciso encontrar um jeito de driblar a situação ou, certamente, aquela relação – de amizade ou de amor – estará ameaçada.
 
Pois bem. Dia desses, me deparei com uma “técnica” no mínimo inusitada. Estava fazendo uma reportagem com minha equipe de externa, formada por motorista/auxiliar e cinegrafista. Concluímos as gravações e voltamos para o carro da TV. Ao entrar no banco de trás, vi que o celular do motorista, que ele havia deixado dentro do veículo, estava chamando. Peguei o aparelho e fui levar pra ele, que ainda estava guardando os equipamentos na mala.
 
Olha Jorge, estão te ligando. – olhei indiscretamente o visor e continuei – É a... a... bem, acho que a Amoxilina te ligando. – concluí, tendo a certeza de que os pais não têm mesmo limites ao batizarem seus filhos indefesos.
 
Jorge deu uma risada e atendeu ao telefone. Mas ele não a cumprimentou com o nome do antibiótico. Usou um “Thaís”.
 
Então... Thaís queria marcar para sair com o grupo de estudos do qual eles faziam parte. Combinaram, e encerraram a ligação.
 
– Amoxilina? – perguntei antes que desse tempo dele respirar.
 
Outra risada.
 
– Espera aí que te explico. Primeiro tenho que avisar a Dimeticona e a Aspirina sobre o encontro.
 
– Hein? – Eu sabia que eu estava muito cansado, quase sem saber se aquela manhã era real, ou se eu estava na minha cama, deitado, dormindo, e sonhando tudo aquilo. Mas, ainda que em sonho, queria tirar aquela história “a limpo”.
 
Feitas as ligações para Bianca Dimeticona e Luiza Aspirina, veio a explicação.
 
– Ciúmes, Lael, o problema é ciúmes.
 
Explico. A namorada de Jorge era tão ciumenta, mas tão ciumenta, que ele não podia ter uma amiga mulher sequer. E como algumas discussões começaram com ela pegando o celular dele enquanto estava chamando, ele resolveu fazer a troca dos nomes. Assim, ele teria justificativa de que era um alarme, avisando a hora de tomar o remédio. Olhe mesmo que “presepe”.
 
– Fala sério! Ninguém cai nessa.
 
– Pode crer! Já me livrei de algumas dores de cabeça graças aos meus “remédios”. Garantiu.
 
Fiquei imaginando que o “jeitinho brasileiro” se reinventa a cada dia. Ô povo criativo. Se bem que essa técnica requer todo um estudo para ser aplicada. Afinal, ele precisava decorar quem era quem, pra não chamar de Thaís quando Dimeticona estivesse ligando, ou confundir Aspirina com Bianca.

 
 
Não perguntei qual o critério para batizar as moças. Mas tive a certeza de que se eu fosse fazer isso com os meus contatos, já teriam Diazepan e Benegripe, fácil, fácil. Aliás, Diazepan seria bem concorrido. Talvez criasse o 1, 2, 3, ou fosse diferenciando por letras.
 
Bem, acho que qualquer hora a namorada de Jorge vai suspeitar que ele não está tão doente assim, precisando de tanto remédio. Ou, se ela descobrir, ele vai precisar de remédio de verdade. Certamente, no dia que ele ligar para os amigos precisando de emplastro sabiá e massageol, a gente vai saber que ele não está se referindo à pessoas de verdade, e que a namorada não gostou da técnica dele.
 
Pois é meus amigos, cada um com sua criatividade. Atire a primeira pastilha Valda quem nunca inventou uma dessas né?

P.S: Podiam criar um novo segmento de nomes para o funk, usando os nomes dos remédios. Afinal, quase não existem mais disponíveis no mercado nomes de frutas para as novas funkeiras. Dani Neosaldina, Fabi Dipirona, dançarinas do Mc Tylenol. De repente pega. Vou patentear.