Era início de ano letivo e uma
surpresa - nada agradável - me esperava na 7ª série do ensino fundamental. Na
época tínhamos a disciplina “Ciências”, que nas escolas de cidade grande já
chamava “Biologia”. Eu achava o termo muito bonito e queria usar, mas tinha que
chamar de “Ciências” mesmo, pois era assim na minha escola – matuto querendo
gourmetizar o nome da disciplina, mas nem isso podia. (risos) Pois bem, ao
comprar o material escolar descobri que naquele ano estudaríamos o corpo humano.
Pensei logo: danou-se!
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| Reprodução/Internet |
Mas o que tem demais nisso? É que
eu não devo ter sido das crianças mais normais, e eu não podia ouvir falar em
doença alguma. Toda novidade sobre o assunto, que eu escutava algum adulto
conversando, eu acabava sentindo cada um dos sintomas, ou tendo a doença de
verdade. Assim, conheci a catapora, o sarampo... só pra ilustrar. Agora, imagine só
quando fosse estudar os pulmões? Pneumonia, tuberculose... E o coração? Ataque
cardíaco era o mínimo que me esperava... Então: danou-se! Entendeu?
- Chegarei vivo à unidade IV?
Sobreviverei a 7ª série? – Perguntei a mim mesmo.
Não sou o Roberto, mas posso
dizer que foram “muitas
emoções” neste ano. Eu torcia pra não chegar a terça-feira, dia de quatro aulas
seguidas de Biologia Ciências. Era um tormento, e eu achava melhor não
olhar o que vinha pela frente, nada de uma espiada nas próximas páginas do livro. Era melhor aproveitar aquele momento, enquanto eu ainda estava vivo.
Recordo bem o dia em que nos foi
ensinado as diferenças entre parto normal e uma cirurgia cesariana.
- Uma anestesia é dada próximo à
coluna vertebral... Falou a professora.
Nesse momento já tinha sentido a
picada bem próximo ao pescoço.
- ... É bem na base da coluna. –
Complementou a professora.
A fisgada passou pra baixo imediatamente.
(Que criança mais problemática, como pode ter vingado?)
Aí pensei, comigo mesmo, que aquilo
não era sintoma de nada, só aconteceria se a pessoa estivesse de fato levando a
picada da agulha. Raciocinei. Passou.
Pra resumir a ópera, entre trancos
e barrancos, cheguei vivo ao final do ano. Não lembro quantas doenças tive ao
longo das unidades, mas venci! “We are champions my friends”.
Hoje sou um pouco mais normal.
Acho. O medo de agulhas é que é o mesmo. Pra vocês terem uma ideia, em um
conhecido laboratório da cidade onde moro, descobri que colocaram uma observação
no meu cadastro: “o rapaz que desmaia”. Veja só que absurdo! (risos) Mas isso é
assunto pra uma outra crônica.
