segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Sobrevivendo a 7ª série

Era início de ano letivo e uma surpresa - nada agradável - me esperava na 7ª série do ensino fundamental. Na época tínhamos a disciplina “Ciências”, que nas escolas de cidade grande já chamava “Biologia”. Eu achava o termo muito bonito e queria usar, mas tinha que chamar de “Ciências” mesmo, pois era assim na minha escola – matuto querendo gourmetizar o nome da disciplina, mas nem isso podia. (risos) Pois bem, ao comprar o material escolar descobri que naquele ano estudaríamos o corpo humano. Pensei logo: danou-se!

Reprodução/Internet


Mas o que tem demais nisso? É que eu não devo ter sido das crianças mais normais, e eu não podia ouvir falar em doença alguma. Toda novidade sobre o assunto, que eu escutava algum adulto conversando, eu acabava sentindo cada um dos sintomas, ou tendo a doença de verdade. Assim, conheci a catapora, o sarampo... só pra ilustrar. Agora, imagine só quando fosse estudar os pulmões? Pneumonia, tuberculose... E o coração? Ataque cardíaco era o mínimo que me esperava... Então: danou-se! Entendeu?

- Chegarei vivo à unidade IV? Sobreviverei a 7ª série? – Perguntei a mim mesmo.

Não sou o Roberto, mas posso dizer que foram “muitas emoções” neste ano. Eu torcia pra não chegar a terça-feira, dia de quatro aulas seguidas de Biologia Ciências. Era um tormento, e eu achava melhor não olhar o que vinha pela frente, nada de uma espiada nas próximas páginas do livro. Era melhor aproveitar aquele momento, enquanto eu ainda estava vivo.

Recordo bem o dia em que nos foi ensinado as diferenças entre parto normal e uma cirurgia cesariana.

- Uma anestesia é dada próximo à coluna vertebral... Falou a professora.

Nesse momento já tinha sentido a picada bem próximo ao pescoço.

- ... É bem na base da coluna. – Complementou a professora.

A fisgada passou pra baixo imediatamente. (Que criança mais problemática, como pode ter vingado?)

Aí pensei, comigo mesmo, que aquilo não era sintoma de nada, só aconteceria se a pessoa estivesse de fato levando a picada da agulha. Raciocinei. Passou.

Outro dia foi a vez de aprendermos sobre o sistema digestivo... melhor não... apagar.

Pra resumir a ópera, entre trancos e barrancos, cheguei vivo ao final do ano. Não lembro quantas doenças tive ao longo das unidades, mas venci! “We are champions my friends”.

Hoje sou um pouco mais normal. Acho. O medo de agulhas é que é o mesmo. Pra vocês terem uma ideia, em um conhecido laboratório da cidade onde moro, descobri que colocaram uma observação no meu cadastro: “o rapaz que desmaia”. Veja só que absurdo! (risos) Mas isso é assunto pra uma outra crônica.

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